Fiquei um tempo sumido daqui.
Acontece em qualquer área da vida: às vezes a gente precisa tirar o foco de uma coisa para dar atenção ao que está pedindo mais naquele momento. Dentro de um planejamento de dieta ou de treino isso também é normal, e não tem por que carregar culpa. O plano continua lá. Você só tem que dar o passo de voltar.
Foi nesse período que, numa sessão de terapia, a conversa com a minha psicóloga foi parar no efeito da ansiedade sobre o corpo. O efeito físico mesmo. Aquela agitação que a gente não sabe explicar direito, o coração acelerado, a dificuldade de concentrar, a impaciência, o corpo pesado.
Quando penso nos alunos que acompanho, isso fica muito claro para mim. Eu vejo o quanto esse estado pesa, a favor ou contra, na hora de comer melhor e manter o treino.
O curioso é que, fora da minha área, o mesmo efeito passa despercebido. Nas coisas do dia a dia, aquelas que eu faço no automático, eu não paro para perceber como estou pensando.
É como pensar no meio de uma névoa. Os pensamentos estão acontecendo, mas não chegam nítidos.
Nessa mesma semana apareceu uma indicação de livro: A arte de pensar claramente, do Rolf Dobelli. Comecei a ler, acho que muito por causa daquela conversa, e já estou gostando bastante. Ele reúne os erros de raciocínio que todo mundo comete sem perceber e que levam a decisões ruins no trabalho, no dinheiro, na saúde e na família.
Ainda não terminei, mas um capítulo já me marcou: a ilusão do controle. A gente tende a achar que influencia muito mais do que de fato influencia em coisas que não dependem da gente. Pensa no botão de fechar a porta do elevador. Você aperta três, quatro vezes, e a porta fecha no tempo dela. O fato de você apertar mais vezes não muda a velocidade da porta.
Agora leva isso para o seu dia. Quanta energia vai embora com coisas que não dependem de você?
Essa energia faz falta depois. Chega o fim de um dia exaustivo e você ainda precisa decidir se vai ou não para a academia. Aparece aquele alimento que, naquele momento, você queria evitar. A decisão cai justamente na hora em que sobrou menos energia para decidir. Já parou para pensar que é muito mais fácil comer saudável no café da manhã do que no jantar?
Fica o convite para esta semana: antes de gastar energia com alguma coisa, pergunta para você mesmo se aquilo depende de você ou não. O que depende merece o seu esforço. O resto pode seguir no tempo dele.
E se está difícil desacelerar, se a névoa está densa, considere fazer terapia. Do mesmo jeito que você treina o músculo e procura um nutricionista para comer melhor, o psicólogo treina a mente para funcionar com mais clareza. Daí o resto tende a fluir melhor.
Boa semana. E aperta o botão do elevador uma vez só.
Até a próxima,
